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Música para os ouvidos...

"Por que tem que ser proibido? Para se ter tráfico, traficante e toda uma cadeia que existe só para manter o que é ilegal? A gestão desse problema precisa ser uma questão de saúde pública, pois é mais tranqüila", defendeu o ministro da Cultura.
O assunto veio à tona quando chegou à mesa de entrevista pergunta da platéia. "Eu vou mudar um pouco esta pergunta, ministro, porque me parece um tanto agressiva", enunciou o mediador, Marcos Augusto Gonçalves. "Não mude, não. Faça agressiva mesmo", rebateu Gil, bem-humorado e desafiador. "O senhor ainda fuma maconha?", leu, então, o jornalista.
Porte de droga levou Gil à cadeia na década de 70
Em meio aos aplausos entusiasmados da platéia, composta de maioria jovem e que contava com a presença do dramaturgo José Celso Martinez Corrêa,alguém gritou: "O senhor acha que eles (os usuários) deveriam organizar a 'parada dos drogados'?, em referência à parada Gay. "Olha, não sei se eles conseguiriam", brincou o ministro.
Gil foi preso por porte de droga na década de 70. Durante uma turnê do grupo Doces Bárbaros, a polícia de Florianópolis recebeu denúncia de que Gil e Caetano Veloso estariam portando maconha. Com Caetano, nada foi encontrado, mas Gil e o baterista Francisco Azevedo foram presos com a droga.
O episódio é relatado no documentário Doces Bárbaros do cineasta Jom Tob Azulay. No filme o juiz diz ao escrivão: "Gilberto Gil declarou que o uso da maconha o auxiliava sensivelmente na introspecção mística". Hoje, ministro, Gil acredita que a transferência do problema para a saúde pública pode ser compensada pela agregação da sociedade e o resgate de jovens talentos.
Durante a entrevista, Gil também anunciou que na semana que vem vai encaminhar à Casa Civil decreto para a regulamentação da Lei Rouanet, que prevê incentivo à Cultura e parcerias com o empresariado. O ministro falou sobre a importância da lei. A idéia é elevar a qualidade dos projetos, democratizar o acesso aos recursos e acompanhar com rigor sua aplicação.
