

Layout:
Templates By Marina
Música para os ouvidos...

"Venha me ver
Quero te amar
Vem que eu te espero com paixão
Só pra você tem um lugar
Aqui no meu coração
Era lindo com você
Na calçada pelas ruas
Eu ouvi você dizer
Que eu sou toda sua
Era lindo o nosso amor"
Strawberries and Champagne
Pear Glacé
Endless Love
Eu me rendo...
Luxo do Mundo Capitalista e Moderno!
Acho que amanhã vou me dar um presente... Vou à Massagista!
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêncio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

NÃO PRECISO
Não me ofereça suas mãos
Eu não quero mais
Não quero sua ajuda
Apenas seu desprezo e seu desespero
Apenas seu zelo e sua culpa
Sei caminhar com minhas próprias pernas
Sem que alguém me diga a direção
Não quero mais suas palavras
Pra você reservei apenas a indiferença
Não diga nada
Apenas não me ofereça suas mãos
Porque não preciso mais.
Retirado:http://naninunes.zip.net/

Foi um "Ano Novo" de sensações nunca experimentadas, de reações inesperadas, de atitudes tomadas e uma nova vida começada!
Que esse 2005 seja um ano de Atitudes, Verdades, Felicidades, Oportunidades, Realizações e muito Amor!

CARIOCA
Fernando Sabino
CARIOCA, como se sabe, é um estado de espírito: o de alguém que, tendo nascido em qualquer parte do Brasil (ou do mundo) mora no Rio de Janeiro e enche de vida as ruas da cidade.
A começar pelos que fazem a melhor parte sua população, a gente do povo: porteiros, garçons, cabineiros, operários, mensageiros, sambistas, favelados. Ou simplesmente os que as notícias de jornal chamam populares: esses que se detêm horas e horas na rua, como se não tivessem mais o que fazer, apreciando um incidente qualquer, um camelô exibindo no chão a sua mercadoria, um propagandista fazendo mágicas. A improvisação é o seu forte, e irresistível a inclinação para fazer o que bem entende, na convicção de que no fim da certo — se não deu é porque não chegou ao fim.
E contrariando todas as leis da ciência e as previsões históricas, acaba dando certo mesmo porque, como afirma ele, Deus é brasileiro — e sendo assim, muito possivelmente carioca.
Pois também sou filho de Deus — ele não se cansa de repetir, reivindicando um direito qualquer. Que pode ser pura e simplesmente o de dar um jeitinho, descobrir um ''macete'', arranjar lugar para mais um.
Toda relação começa por ser pessoal, e nos melhores termos de camaradagem. Para conseguir alguma coisa em algum lugar conhece sempre alguém que trabalha lá: procure o Juca no primeiro andar, ou o Nonô, no Gabinete, diga que fui eu que mandei. Até os porteiros, serventes ou ascensoristas têm prestigio e servem de acesso aos figurões. Todo mundo é ''meu chapa'', ''velhinho'', ''nossa amizade''. Todos se tratam pelo nome de batismo a partir do primeiro encontro. E se tornam amigos de infância a partir do segundo, com tapas nas costas e abraços efusivos em plena rua, para celebrar este extraordinário acontecimento que é o de se terem encontrado.
A maioria dos encontros é casual, e em geral em plena rua — pois ninguém resiste às ruas do Rio: a gente se vê por ai, quando puder eu apareço. Os compromissos de hora marcada são mera formalidade de boa educação, da boca para fora. Mesmo estabelecido, de pedra e cal, há uma sutileza qualquer na conversa, que escapa aos ouvidos incautos do estrangeiro, indicando se são ou não para valer. Na linguagem do carioca, ''pois não'' quer dizer ''sim'', ''pois sim'' quer dizer ''não''; ''com certeza'', ''certamente'', ''sem dúvida'' são afirmações categóricas que em geral significam apenas uma possibilidade.
Encontrando-se ou se desencontrando, como se mexem! As ruas do Rio, mesmo em dias comuns, vivem cheias como em festejos contínuos. Todos andam de um lado para outro, a passeio, sem parecer que estejam indo especialmente a lugar nenhum. As esquinas, as portas dos botequins e casas de comércio, os shopping-centers cada vez mais numerosos, todos os lugares, mesmo de simples passagem, são obstruídos por aglomerações de pessoas a conversar em grande animação.
E como conversam! Falam, gesticulam, cutucam-se mutuamente, contam anedotas, riem, calam-se para ver passar uma bela mulher, dirigem-lhe galanteios amáveis, voltam a conversar. Ninguém parece estar ouvindo ninguém, todos falam ao mesmo tempo, numa seqüência de gargalhadas. Em meio à conversa, um se despede em largos gestos e se atira no ônibus que se detém para ele fora do ponto, a caminho da Zona Sul.
Copacabana, Arpoador, Ipanema, Leblon — praias cheias de cariocas, como se todos os dias da semana fossem domingos ou feriados. Espalhados na areia, ou andando no calçadão, se misturam jovens e velhos de calção, mulheres em sumárias roupas de banho, gente bonita ou feia, alta ou baixa, magra ou gorda, na mais surpreendente exibição de naturalidade em relação ao próprio corpo de que é capaz o ser humano.
...
A partir deste instante estará correndo sério risco de ficar no Rio para sempre e se tomar carioca também.
Fernando Sabino, ''Livro aberto'', Editora Record – Rio de Janeiro, 2001.
Domingo, Ipanema, Cariocas, apreciando a decoração, simplesmente esperando que a "Fábrica de Natal" funcionasse e soltasse flocos de "neve"!
Cariocas, simplesmente cariocas!
“A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar, uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada”
Lya Luft - O Ponto Cego, 1999.

Não discuto com destino, o que pintar eu assino!
(Leminski)
"O ano de dois mil e quatro chega ao fim com gosto de fim. Não, este ano não voou, não passou despercebido, não correu. Mostrou a rudeza e a força do tempo, em cada dia passado no calendário, com a intensidade do cinzel que desbasta a pedra para transformá-la.
Foi um ano de tanto em todos os sentidos (sensoriais e conotativos), de transbordamentos, de taças cheias (inclusive as amargas). Foi um ano de andar descalça, de provar sutilezas e de me apoderar das abundâncias. Foi um ano de lágrimas que vieram depois de sorrisos rasgados, paridos com fúria, de choro alto como criança, de achar meus caminhos, reconhecer minhas pegadas, descobrir umas trilhas que eu não me julgava capaz de fazer. Foi um ano de desmascarar a mim e aos outros, de ver o quanto de mim eu queria encontrar naquilo que não era eu e também de enxergar que eu estava bem aqui, debaixo do meu nariz e para fazer de mim o que bem me aprouvesse.
O ano termina com a exaustão de ter sido exaurido, consumado, usado e abusado, mastigado, engolido. É assim depois que nos entregamos sem medo, sem reserva e temos que aceitar devolução. Ninguém aprende incólume qual é sua própria medida, e ninguém aprende fácil a gostar dela, ainda mais quando a gente passa a não caber em qualquer cantinho, nem agradar a todo mundo.
Um grande beijo àqueles que me abriram os braços e abrigaram um muito de mim dentro de si, que deram guarida às minhas palavras, aos dos meus sentimentos e riram os risos rasgados, vibraram as improváveis desmesuras...
A todos vocês, anônimos, calados, incógnitos, amigos, obrigada por me fazerem tão bem ao andarem de mãos dadas comigo."
É mais ou menos isso...